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Jornada: opinião patronal PDF Imprimir E-mail
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Seg, 08 de Março de 2010 22:41

Por José Paulo Dornelles Cairoli*,
No Valor Econômico


Ao aumentar o custo do trabalhador, a PEC 231 estimula o aumento da informalidade no mercado de trabalho.

Há uma máxima em economia que diz que determinadas políticas públicas, geralmente muito populares e bem intencionadas e que aparentemente melhorariam as condições de vida das pessoas por elas afetadas, acabam por piorá-las.

A proposta de redução da jornada semanal de trabalho no Brasil, de 44 para 40 horas, sem a diminuição dos salários, e o pagamento de 75% sobre a hora extra trabalhada, contida na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 231/95, parece se enquadrar perfeitamente nesse figurino.

À primeira vista, uma jornada menor melhoraria a qualidade de vida dos trabalhadores, dando-lhes mais tempo para o lazer e a família. Além disso, restaria inclusive mais tempo e, com as horas extras, mais renda para consumir, o que estimularia a economia.

Por fim, a medida ainda poderia ampliar a criação de empregos, devido à necessidade de novas contratações para compensar a queda de 10% na jornada de trabalho semanal.

No entanto, essa visão só enxerga parte do quadro. Mas o que acontecerá com as empresas que empregam esses trabalhadores? Com certeza, seus custos por trabalhador aumentariam, pois teriam que continuar pagando os mesmos salários por menos horas de trabalho ou pagando valores mais elevados pelas horas extras.

Assim, haveria uma perda de competitividade das empresas brasileiras em relação às que operam em suas concorrentes no exterior.

A solução que boa parte das empresas brasileiras de maior porte e com capacidade de investimento tomaria seria a substituição, na medida do possível, de seus trabalhadores por máquinas.

As de menor porte e com pouca capacidade de investir, caso típico das pequenas e microempresas, seriam forçadas a reduzir o número de seus empregados. Em ambos os casos, aqueles supostamente beneficiados pela medida seriam prejudicados, gerando um aumento do desemprego, o resultado oposto daquele desejado pela medida.

Alguns podem pensar que isso não faz sentido, pois o país se encontra novamente em um período de forte crescimento econômico, batendo recordes sucessivos de ampliação do emprego. No entanto, essa medida tem o potencial de reduzir dramaticamente a expansão do emprego, mesmo com a economia voltando a crescer acima de 5% ao ano.

Além disso, essa medida tira o foco daquilo que deveria ser a principal preocupação do governo em relação ao emprego: a realização de uma corajosa reforma trabalhista, que proporcionasse um aumento significativo dos empregos formais no país.

Atualmente, pouco mais da metade dos trabalhadores brasileiros estão na economia formal, restando a informalidade para os demais. Ao aumentar o custo do trabalhador, a PEC 231 se torna mais um ingrediente a estimular o aumento da informalidade no mercado de trabalho brasileiro.

Outro aspecto interessante a ser examinado é que os principais países emergentes, que pertencem ao grupo dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), apresentam jornadas de trabalho semanais mais longas que a brasileira.

Na China, a média de trabalho semanal na indústria chega a 49 horas, enquanto na Índia alcança a 47 horas, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em vários países latino americanos, a carga de trabalho semanal também é mais longa do que no Brasil, chegando a 45 horas no México, no Uruguai e na Colômbia.

Mas, quando se compara as horas trabalhadas ao longo do ano, o quadro ainda é mais desalentador. Devido ao período de férias brasileiro, de 30 dias por ano, quando na maioria dos países emergentes gira em torno de 20 dias anuais, e do número de feriados, a jornada anual trabalhada no Brasil é menor do que em boa parte desses países. Portanto, a adoção da jornada de 40 horas semanais no país, sem alterar o período de férias e o número de feriados, iria reduzir ainda mais a competitividade das empresas que atuam aqui.

Por fim, uma série de estudos tem demonstrado que a redução da jornada de trabalho semanal não resultou em aumento de empregos.

Na França, a redução da jornada de trabalho de 40 para 35 horas semanais além de não provocar o aumento esperado de empregos, causou uma fuga de investimentos para países da União Europeia com jornadas de trabalho maiores e legislações trabalhistas mais flexíveis, como Espanha e República Tcheca.

No caso brasileiro, a redução da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais, garantida pela Constituição de 1988, não criou mais empregos.

Uma das razões é que a maior parte dos empregos no Brasil é criada por micro e pequenas empresas, que não têm como arcar com a elevação das folhas de pagamento.

De acordo com a literatura especializada, o que, de fato, gera mais empregos é a combinação de crescimento econômico elevado e sustentável, maior qualificação dos trabalhadores e uma legislação trabalhista que estimule a contratação de novos trabalhadores.

Em suma, o resultado da aprovação da PEC 231 será o desemprego e a informalidade para muitos brasileiros a quem ela supostamente iria beneficiar.

Assim, se o governo não tem condições políticas de realizar uma reforma trabalhista, que estimule a formalização dos trabalhadores, especialmente em um ano eleitoral, ao menos deve evitar adotar tal medida que não contribui em nada para a expansão dos empregos formais no país.

O melhor caminho seria o da livre negociação entre sindicatos empresariais e de trabalhadores, como ocorre na maioria dos países emergentes e desenvolvidos, e não através de uma imposição do Estado, que engessaria o tema ao inseri-lo na Constituição.

Por sinal, uma série de acordos coletivos entre sindicatos patronais e de trabalhadores no Brasil já estabeleceram 40 horas semanais, sem interferência alguma do Estado.

Como a experiência internacional e brasileira, além da própria literatura especializada sobre o tema tem demonstrado, a redução da jornada de trabalho por lei somente iria prejudicar aqueles que seriam supostamente beneficiados.

(*) Presidente da Federasul e CACB

Comentários (6)
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escrito por rosa, julho 05, 2010
LISBOA,05/07/2010-TO UMA FERA.CONTACTEI A EMPRESA DI MARCU MENAGER CONSULTING,NA PRAÇA DO AREIREIRO Nº8 2ºESQº LISBOA,MARQUEI ENTREVISTA COM O SR. DIMARCU,ELE ME FEZ ESPERAR HS,QUANDO APARECEU TAVA SEM TEMPO,IA ALMOÇAR,CANSADA DE ESPERAR FUI VER O QUE SE PASSAVA,CONCLUINDO:TIVE QUE FALAR COM ELE NA RUA...!BOM, MARCAMOS DE EU E UMA AMIGA DAR INICIO NAS NOSSAS ATIVIDADES.
ELE NAO APARECEU E NEM DEU SATISFAÇAO,LIGAMOS PARA TODOS OS Nº(91920867,966546174,927151358,936240703)SEM SUCESSO.
ESTE É APENAS UM ALERTA PARA QUE PESSOAS CORRETAS,QUE VIERAM EM BUSCA DE UMA VIDA MELHOR,NAO CAIA NO CONTO DO VIGARIO(DI MARCU,FALÇO BRASILEIRO).
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escrito por ALMIR APARECIDO FAGUNDES, março 15, 2010
No Brasil ainda tem tres tipos de patroes,DONO DE ENGENHO,PATRÃO E O EMPRESÁRIO,os coroneis são aqueles que ainda pensam que trabalhdor tem que ser massacrado,patrão e aquele que tem a empresa quer dominar tudo e no final não consegue fazer nada e o empresario e aquele que pensa no coletivo tratando seus trabalhdores com respeito porque ele sabe que o maior patrimonio dele são seus colaboladores,tenhos plena certeza que os empresários brasileiros não são contra redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais contra são os aqueles so eles podem ganhar trabalhador não.
Mais a população brasileira tem que saber quais os deputados e senadores que esta a serviço da nação e do povo trabalhdor,não se-esqueça que ano vamos ter eleição precisamos votar em pessoas que tem compromisso com classe trabalhdora deste pais porque somos nós que censeguimos eleger qualquer politico neste pais porque os trabalhdores são maioria.
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escrito por Renaldo/Alagoas, março 11, 2010
Vejam bem, o coronelismo e o capitalismo brasileira sempre imperou em nosso Pais, sempre a mão de obra que é a mola mestra do progresso em nosso Pais, mais a classe econômica sempre vem com obestaculo, na hora das negociações não querem darem amais que a inflação, sempre dizem que operam no vermelho, e chega em uma hora dessa eles apontam as pequenas e microempresas como fosse o boi de gibão, olha senhores empresados que quebra as pequenas e microempresas são os senhores mesmos, vocês pela força em teem, tem mais condições de se automatizarem mais rapido e acompanhar os grandes concorrentes e os micros não, as Centrais estão no caminho certo, a hora é essa a econômia brasileira e forte temos certeza que aquenta muito bem essa redução de 44 para 40 horas. É bom que a classe operaria veja esse esforço e passe a agreditar mais nas organizações Sindicais que é o unico instrumento que ainda fala em defesa dos menos favorecidos em nosso Pais, parabens a todos que estão a favor dessa BANDEIRA.
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escrito por robson vigilante, março 10, 2010
eu sou a favor da redusao da carga horaria
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escrito por Plínio Alvarenga, março 10, 2010
É o velho "Custo Brasil". O setor patronal não tem coragem de abrir o jogo, relacionado ao descumprimento da jornada de trabalho, das terceirizações que estão rompendo com os beneficios básicos, etc. A questão não é a redução das quatro horas semanais. Esta questão já está mais que provada os custos serão mínimos, considerando que hoje é quase que consumado o uso da "Semana Inglêsa". O fato é que estamos frente a um "jogo de braço" no qual o setor patronal não admite o menor avanço político, social e econômico da Classe Trabalhadora. Para a sociedade o setor patronal e seus aliados mascaram que a luta ideológica (de Classe) é coisa dos dinossauros da velha esquerda, quando na realidade quem identifica que a luta é ideológica e portanto deve ser vencida são os patronais. Não é de graça que deixamos de ser trabalhadores para sermos colaboradores no processo do crescimento da mais valia no desenvolvimento econômico capitalista.
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escrito por GERSON REPULLIO, março 09, 2010
Penso que não devemos comparar outro País o que já foi feito e não deu certo talvez tenha dado sim, porque o que segura uma empresa em uma Cidade, Estado, País não é o custo que ela tem com a mão de obra pois isso é barato em todo lugar.
Se eu tiver equivocado por favor me orientem.
mas temos que concordar, que uma REFORMA TRABALISTA JÁ passou da hora de ser feita, isso passou.

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