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Antônio Augusto de Queiroz O DIAP, com base nos dados do “sistema de gestão de informação” desenvolvido por Francisco da Silva Cardozo, analisou o comportamento dos partidos em relação aos interesses governamentais em todas as votações nominais na Câmara e no Senado no primeiro semestre de 2007, tendo como parâmetro a orientação de voto do líder do Governo nas duas Casas do Congresso. O levantamento incluiu todas as votações nominais havidas na Câmara, 101, e no Senado, 12, no primeiro semestre de 2007 (de 02 de fevereiro a 16 de julho) e considerou requerimentos (pedidos de adiamento, de retirada de pauta e de inversão de ordem, entre outros) e mérito de matérias, proposições e destaques (de partes do texto ou emenda), conforme segue. Partido | Câmara % (101 votações) | Senado % (12 votações) | PT | 88,12 | 91,67 | PCdoB | 80,20 | 91,67 | PMDB | 80,20 | 83,33 | PDT | 80,20 | 66,67 | PSB | 79,21 | 75,00 | PP | 77,23 | 83,33 | PTB | 77,23 | 66,67 | PMN | 74,26 | - | PR | 72,28 | 83,33 | PV | 71,29 | - | PTdoB | 67,33 | - | PSC | 66,34 | - | PRB | 64,36 | 41,67 | PHS | 58,42 | - | PSOL | 54,46 | 33,33 | PTC (ex-PRN) | 40,59 | - | PAN | 67,80 | - | PPS (ex-PCB) | 35,64 | - | PSDB | 34,65 | 58,33 | DEM (ex-PFL) | 25,74 | 58,33 |
De acordo com o levantamento, a situação do Governo é confortável nas duas Casas do Congresso. Na Câmara, com exceção do PTC, do PPS, do PSDB e do DEM, a média de votações com orientação partidária coincidindo com a recomendação do líder do Governo é superior a 50%. Até o PSol, que faz oposição pela esquerda, apoiou o Governo em 54,46% das votações. Entre os partidos da base, o PT é o mais fiel, com 88,12% de adesão, e o menos fiel foi o PHS, com 58,42%. No Senado, onde a oposição não passa de mito, o resultado é bem melhor. Apenas o PRB e o PSol, com um senador cada, votaram em mais de 50% das vezes contra o Governo. Até o PFL e o PSDB votaram de acordo com a orientação do líder do Governo em 58,33% das vezes. PT e PCdoB são os partidos mais fiéis no Senado e os menos fiéis são o PTB e o PDT, com 66,67% de adesão. Os principais partidos de oposição, DEM (ex-PFL) e PSDB, têm comportamentos distintos nas duas Casas do Congresso. Na Câmara fazem oposição no discurso e no voto, enquanto no Senado a oposição se limita ao discurso, já que o voto, em quase 60% dos casos, coincide com a orientação governamental. Na Câmara, o DEM (74,25%) é mais oposição que o PDSB (65,35%). Já no Senado, ambos votaram contra o Governo somente em 41,67% das votações nominais havidas no primeiro semestre. Um dado chama atenção pelo inusitado da situação. O PFL, antes de mudar de nome, foi mais governista que partidos da base, votando em 87,50% a favor dos pleitos governamentais. Como DEM, entretanto, passou a votar 100% contra o Governo no Senado. Já na Câmara, o processo foi inverso. Como PFL era oposição radical, votando 90,91% das vezes contra o Governo, mas como DEM moderou a oposição, votando contra apenas 54,35%. Talvez a coincidência de orientação com os partidos da base em relação à reforma política justifique essa mudança de postura na Câmara. A conclusão a que se chega – com base neste levantamento do primeiro semestre de 2007, que incluiu todas as votações nominais, tanto de mérito quanto de manobras e obstruções (como requerimentos de adiamento, inversão e retirada de pauta) – é que o Congresso é mais dócil em relação ao Governo do que apresentam os órgãos de imprensa.
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é jornalista, analista político e Diretor de Documentação do DIAP – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar.
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