Paz como prioridade política mobiliza Senado e reacende debate sobre papel do Parlamento
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Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
Audiência na CDH aponta urgência de ações concretas diante da escalada de conflitos e reforça articulação institucional pela convivência pacífica
A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal reuniu, nesta segunda-feira (6), representantes do poder público, organismos internacionais e especialistas para discutir a necessidade de transformar a paz em prioridade efetiva da agenda política. O encontro consolidou a percepção de que o agravamento dos conflitos no mundo exige respostas coordenadas e imediatas por parte do Parlamento brasileiro.
A audiência, solicitada pelo senador Paulo Paim (PT-RS), dialoga diretamente com a criação da Frente Parlamentar pela Paz Mundial, instituída em março por resolução do Senado. A iniciativa busca organizar e ampliar a atuação do Congresso Nacional em torno de propostas que fortaleçam a convivência pacífica entre nações e povos.
Ao longo do debate, prevaleceu o entendimento de que a paz não pode ser tratada como conceito abstrato, mas como diretriz concreta de políticas públicas. O avanço de guerras e crises humanitárias tem produzido efeitos diretos sobre populações civis, especialmente crianças, mulheres e idosos, o que reforça a necessidade de atuação institucional consistente.
Dados apresentados durante a audiência evidenciaram a dimensão do problema. Há atualmente mais de uma centena de conflitos em curso no planeta, com episódios recentes de extrema gravidade. Relatos sobre ataques a áreas civis e o aumento expressivo no número de vítimas foram mencionados como sinais de um cenário internacional em deterioração.
Nesse contexto, ganhou destaque a intervenção do advogado e ex-senador Ulisses Riedel, um dos idealizadores da Frente Parlamentar pela Paz Mundial. Sua fala enfatizou a necessidade de uma inflexão ética e política nas relações internacionais. Para ele, a superação da lógica de confrontos passa pela adoção de valores centrados na dignidade humana e na solidariedade, em substituição à cultura da violência e da disputa armada. A defesa de uma mudança de mentalidade foi apresentada como condição indispensável para qualquer estratégia duradoura de pacificação.
A crise dos deslocamentos forçados também ocupou espaço relevante no debate. Informações apresentadas por representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados indicam que mais de 120 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas em decorrência de guerras, perseguições ou violações de direitos. O Brasil, nesse cenário, aparece como um dos países que acolhem contingentes expressivos de refugiados, reforçando seu papel na agenda humanitária internacional.
Outro ponto sensível discutido foi o crescimento acelerado dos gastos militares. Dados recentes mostram que os investimentos globais em defesa ultrapassaram a marca de 2,7 trilhões de dólares em 2024, com aumento significativo em relação ao ano anterior. A disparidade entre esses valores e os recursos destinados ao desenvolvimento social foi apontada como fator que aprofunda desigualdades e dificulta o enfrentamento da pobreza.
A intensificação dos conflitos também se reflete no número de vítimas. Estimativas indicam cerca de 200 mil mortes em mais de 130 conflitos apenas no último ano, com crescimento expressivo em regiões como o Oriente Médio e o norte da África. O quadro reforça a avaliação de que a paz precisa ser construída com base em justiça social, diálogo e respeito aos direitos humanos.
Ao final da audiência, houve convergência quanto à necessidade de fortalecer mecanismos institucionais que promovam a cooperação e a mediação de conflitos. A Frente Parlamentar pela Paz Mundial surge, nesse contexto, como instrumento para articular iniciativas legislativas, fomentar políticas públicas e ampliar o protagonismo do Congresso na busca por soluções pacíficas.
Trajetória e legado
A participação de Ulisses Riedel no debate também remete à história do próprio Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), entidade da qual foi fundador. Com atuação destacada no acompanhamento do processo legislativo e na defesa dos interesses dos trabalhadores, Riedel ajudou a consolidar o DIAP como referência nacional em análise política e articulação institucional.
Advogado com forte presença na vida pública, ele exerceu mandato no Senado Federal e construiu trajetória marcada pela defesa da democracia, dos direitos sociais e do diálogo como instrumento de construção política. Sua contribuição à criação da Frente Parlamentar pela Paz Mundial reforça uma linha de atuação pautada pela busca de soluções institucionais e pela valorização da negociação como alternativa aos conflitos.
A audiência na CDH, ao reunir diferentes visões e dados sobre a realidade global, recoloca o tema da paz no centro do debate político e aponta para a responsabilidade do Parlamento na formulação de respostas que ultrapassem o discurso e se traduzam em ações concretas.
