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Negociação com relator e presidente do colegiado busca acelerar consenso por jornada de 40 horas e modelo 5x2

 As centrais sindicais foram a campo e articulam nos bastidores e intensificam a ofensiva política no Congresso, a fim de abrirem frente direta de negociação com o comando da comissão especial que analisa o fim da escala 6x1.

Em reunião realizada nesta terça-feira (5), dirigentes se encontraram com o deputado relator Léo Prates (Republicanos-BA), o presidente do colegiado Alencar Santana (PT-SP) e o líder do governo Paulo Pimenta (PT-RS) para alinhar estratégias e pressionar por texto final mais direto e de rápida aprovação.

Texto simples, impacto amplo

O eixo central defendido pelas centrais é a aprovação de legislação “enxuta”, que estabeleça 2 pontos estruturais: jornada máxima de 40 horas semanais e adoção do modelo 5x2, com 2 dias de descanso.

A avaliação dos sindicalistas é que texto objetivo reduz resistências políticas e evita brechas que possam esvaziar a proposta ao longo da tramitação.

A lógica é definir padrão nacional mínimo e deixar ajustes específicos — como turnos contínuos ou escalas diferenciadas — para negociação coletiva entre trabalhadores e empregadores.

Pressão social como trunfo

Nos bastidores, lideranças sindicais reconhecem que o avanço da proposta depende menos do convencimento técnico e mais da capacidade de mobilização.

A estratégia combina atuação institucional, com a cúpula da comissão, com pressão social nos estados e nas bases eleitorais dos parlamentares.

Dirigentes argumentam que a escala 6x1 atinge principalmente trabalhadores mais vulneráveis, em setores como comércio, serviços e teleatendimento, marcados por alta rotatividade e baixa capacidade de barganha.

Nesse contexto, a mudança seria não apenas trabalhista, mas também social, ao redefinir o uso do tempo e reduzir desgaste físico e mental.

Negociação e flexibilidade

Um dos pontos sensíveis do debate — e que tem sido trabalhado nas conversas com o relator — é a garantia de flexibilidade para setores com dinâmicas próprias. Indústrias de operação contínua, hospitais e atividades embarcadas são frequentemente citados como exemplos que exigem regimes diferenciados.

A solução em construção preserva a regra geral das 40 horas, mas abre espaço para que convenções coletivas regulem casos específicos, evitando resistência de segmentos produtivos estratégicos.

Calendário acelerado

A pressão das centrais ocorre em contexto de tramitação acelerada. O plano de trabalho da comissão prevê leitura do parecer dia 20 e votação no colegiado dia 26, com envio ao plenário logo em seguida.

Também estão programadas audiências públicas e debates regionais, que devem servir tanto para qualificar o texto quanto para ampliar a legitimidade política da proposta.

Disputa política e econômica

O avanço da pauta expõe disputa mais ampla. De um lado, trabalhadores e governo defendem a redução da jornada como medida de qualidade de vida e modernização das relações de trabalho.

De outro, setores empresariais e parte do Congresso manifestam preocupação com custos e impactos sobre emprego.

Nesse cenário, a negociação nos bastidores da comissão ganha centralidade. Mais do que definir um texto, trata-se de construir equilíbrio político capaz de viabilizar a proposta em plenário; em ano marcado por forte sensibilidade eleitoral e crescente pressão social.

Momento decisivo

Para as centrais, o momento é visto como janela histórica. A combinação de mobilização organizada, apoio de parte do governo e tramitação célere cria condições raras para alterar um dos pilares do mercado de trabalho brasileiro.

Ainda assim, o desfecho permanece incerto. E dependerá da capacidade de transformar pressão em maioria parlamentar.

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