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Presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da UGT articula acordos coletivos no setor supermercadista, mobiliza redes e cobra votação de projetos em tramitação na Câmara e no Senado

Trata-se de mobilização sindical, diz Ricardo Patah, que é presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da UGT (União Geral dos Trabalhadores). Segundo Patah, o sindicato intensificou nas últimas semanas campanha nacional pela redução da escala 6x1 — 6 dias de trabalho para apenas 1 de descanso — para o modelo 5x2, com 2 dias de folga semanal.

A ofensiva ocorre em várias frentes: redes digitais, mobilizações presenciais e articulação política em Brasília, onde tramita o debate legislativo — Câmara e Senado — que pode consolidar a mudança na legislação trabalhista.

“Estamos fazendo um trabalho intenso para reduzir a escala 6x1. Essa jornada é exaustiva, compromete a saúde e a vida social do trabalhador. É preciso avançar para o 5x2”, afirmou Patah.

Supermercados e grandes empresas no centro

Segundo o dirigente sindical, que é vice-presidente do DIAP, o setor supermercadista paulista tornou-se uma das frentes mais relevantes da mobilização, sobretudo entre grandes redes, onde já existem negociações em curso para adoção da escala 5x2 por meio de acordos coletivos.

“O setor supermercadista de São Paulo tem empresas grandes, com capacidade de liderar essa transição. Isso pode abrir caminho para um novo padrão nacional”, disse.

Patah ressaltou que a mudança não depende apenas de iniciativas isoladas, mas de campanha ampla, com pressão social e institucional.

Campanha nas redes e “amarelinhos”

Além da negociação sindical, a campanha ganhou visibilidade com ações nas redes digitais e mobilizações de rua, com participação de trabalhadores identificados pelos chamados “amarelinhos”, em referência aos coletes usados em atos públicos.

O dirigente também participou recentemente de podcasts e transmissões digitais para esclarecer os impactos da escala atual.

“A população precisa entender que não se trata de privilégio, mas de qualidade de vida e justiça social. Reduzir a jornada é uma medida civilizatória”, afirmou.

Congresso como palco decisivo

Embora acordos coletivos possam antecipar avanços em setores específicos, Patah reforça que o Congresso Nacional é o locus central para consolidar a mudança em lei.

“A jornada de trabalho precisa ser enfrentada no Parlamento. É no Congresso que se aprova uma legislação que garanta essa conquista para todos, e não apenas para algumas categorias”, declarou.

Hoje, há proposições em tramitação tanto na Câmara quanto no Senado que tratam da redução da jornada semanal e do fim da escala 6x1, tema que voltou ao centro do debate trabalhista em 2026.

Articulação com Hugo Motta e governo

Dentro da estratégia política, Patah também buscou interlocução direta com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para acelerar o debate legislativo.

“Conversei com o presidente Hugo Motta porque precisamos de prioridade. Essa é uma pauta que diz respeito à maioria do povo trabalhador”, disse.

O sindicalista acrescentou que o governo federal deve encaminhar ao Congresso projeto de lei sobre o tema, ampliando a pressão institucional pela mudança.

“O governo vai enviar uma proposta e nós vamos acompanhar de perto. A campanha será intensa até que isso se transforme em lei”, afirmou.

Disputa sobre o futuro do trabalho

A ofensiva liderada por Patah ocorre em momento em que o debate sobre jornada, precarização e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal volta a ganhar força no País.

Para a UGT, a redução da escala representa não apenas mudança organizacional, mas passo necessário para modernizar relações trabalhistas e enfrentar o desgaste imposto por jornadas extensas.

“O trabalhador não pode viver apenas para trabalhar. O Brasil precisa de um novo pacto social sobre o tempo e o direito ao descanso”, concluiu Patah.

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