CONGRESSO

Neuriberg Dias*

Levantamentos divulgados pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), com dados sobre a quantidade de parlamentares candidatos à reeleição na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, antecipam sinais importantes sobre o perfil futuro da composição do Congresso Nacional.

Na Câmara, dos 513 deputados em exercício, 438 (85,38%)[1] foram confirmados, após o fim do registro de candidaturas, como candidatos à reeleição neste ano — 8 a menos que em 2022, quando 446 parlamentares buscaram renovar o mandato. Assim, cerca de 8 em cada 10 deputados da atual bancada estão na disputa pela permanência na Câmara.

Parte dessa redução está relacionada ao aumento do número de parlamentares que decidiram disputar uma vaga no Senado: 42 neste ano. Em 2018, quando estavam em disputa duas vagas para o Senado por estado, 47 deputados federais concorreram ao cargo; em 2022, quando a eleição renovou um terço das vagas do Senado, 21 deputados federais tentaram uma vaga na Casa.

Também aumentou o número de deputados federais que confirmaram candidatura a uma vaga nas assembleias legislativas: de 6, em 2022, para 8 neste ano. E 5 deputados concorrem ao cargo de governador, 1 ao de vice-presidente, 1 ao de vice-governador e 3 ao de 1º suplente de senador. Entre os atuais deputados, 14 não concorrem a nenhum cargo eletivo.

O número recorde de candidatos à reeleição na Câmara dos Deputados é um importante indicativo de que a renovação tende a ser inferior à média de 49% observada nas eleições realizadas desde 1990. Isso porque o índice de sucesso das candidaturas à reeleição é elevado, superando 65% entre os deputados que tentam renovar seus mandatos. Abaixo um histórico comparativo:

Histórico de candidaturas na Câmara dos Deputados

Ano da eleição

Composição da Câmara no ano da eleição

Nº de candidatos à reeleição

Índice de recandidatura

Nº de reeleitos

Índice de reeleição

Nº de novos

Índice de renovação

1990

495

368

74,34%

189

51,35%

306

61,82%

1994

503

397

78,92%

230

57,93%

273

54,28%

1998

513

443

86,35%

288

65,01%

225

43,86%

2002

513

416

81,09%

283

68,02%

230

44,83%

2006

513

442

86,16%

267

60,41%

246

47,95%

2010

513

407

79,33%

286

70,76%

227

44,25%

2014

513

387

75,43%

273

70,54%

240

47,00%

2018

513

404

78,75%

274

67,82%

239

46,58%

2022

513

446

86,93%

275

65,61%

237

46,33%

2026

513

438

85,38%

-

-

-

-

Fonte: Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP)

Com base nesse histórico de recandidaturas e reeleições, o DIAP projeta que a renovação da Câmara poderá variar entre 14,61% e 44,44%.

No Senado Federal, das 54 cadeiras em disputa, 32 senadores, ou 59,25%, tentam a reeleição, enquanto 10 concorrem a outros cargos e 12 não serão candidatos.

O histórico mostra que a disputa de dois terços das cadeiras costuma produzir forte renovação. Em 2018, por exemplo, 46 dos 54 eleitos eram novos. Para 2026, o DIAP estima uma renovação potencial entre 22 e 44 cadeiras, o que representaria de 27,16% a 54,32% da composição total do Senado.

A reeleição, porém, está longe de ser garantida. Em 2018, apenas oito dos 32 senadores que buscaram a recondução foram reeleitos. Como estarão em disputa duas vagas por estado, a competição tende a ser ainda mais acirrada, diferentemente do que ocorre nas eleições para a Câmara dos Deputados.

 

Histórico de candidaturas no Senado Federal

Ano da eleição

Cadeiras no Senado

Nº de candidatos à reeleição

Índice de recandidatura

Nº de reeleitos

Índice de reeleição

Nº de novos

Índice de renovação em relação as vagas em disputa

Índice de renovação em relação a composição da Casa

1994

54

20

37,03%

9

57,93%

45

83,30%

55,56%

1998

27

10

37,03%

5

50,00%

22

81,50%

27,16%

2002

54

33

61,11%

14

42,42%

40

74,10%

49,38%

2006

27

13

48,14%

7

53,85%

20

74,10%

24,69%

2010

54

29

53,70%

17

58,62%

37

68,50%

45,68%

2014

27

10

37,03%

5

50,00%

22

81,50%

27,16%

2018

54

32

59,25%

8

25,00%

46

85,15%

56,79%

2022

27

13

48,14%

5

18,51%

22

81,48%

27,16%

2026

54

32

59,25%

-

-

-

-

-

Fonte: Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP)

As razões para a baixa renovação na Câmara dos Deputados são diversas, entre as quais se destacam:

  1. Partidos ficaram neutros nas eleições presidenciais e priorizaram as eleições legislativas, em particular os partidos do “Centrão”;
  2. Emendas individuais executadas ao longo do mandato reforçam as chances de reeleição dos parlamentares;
  3. Redução da quantidade de candidatos divulgada pelo TSE efeito das novas regras sobre o limite do número de candidatos por partido ou federação correspondente a até 100% mais um do total de cadeiras a serem preenchidas em cada estado;
  4. Fundão eleitoral preferencialmente distribuídos aos parlamentares que tentam reeleição ao cargo;
  5. Manutenção das regras do cálculo de distribuição das sobras primeiro para os partidos ou federações e candidatos que atingirem 80% e 20% do quociente eleitoral.

Portanto, a partir de 2027, os dados indicam uma tendência de elevada permanência parlamentar combinada a uma renovação relativa, marcada por uma espécie de circulação do poder e pelo ingresso de parlamentares já com experiência política, especialmente na Câmara dos Deputados.

*Jornalista, Analista Político e Diretor de Documentação do DIAP

[1] https://www.diap.org.br/index.php/noticias/agencia-diap/93092-camara-438-disputam-a-reeleicao-diap-avalia-renovacao

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