Cenários de base de apoio no Congresso a partir de 2027
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- Categoria: Agência DIAP

O DIAP projeta dois cenários para a legislatura 2027–2031: a reeleição de Lula ou a eleição de Flávio Bolsonaro. O ponto de partida é a base mais enxuta da série histórica: no governo Lula III, apenas 140 deputados sustentam o governo de forma consistente, com 159 de apoio condicionado e 214 de oposição — a maior oposição desde Collor. No Senado, o núcleo consistente é de apenas 17 senadores.
No cenário de reeleição de Lula, o governo disporia de 124 a 370 deputados de base de apoio, sendo 124 consistentes e 246 condicionados, contra 143 de oposição. A maioria existe no papel, mas está concentrada no apoio condicionado — o segmento mais volátil da série, que exige uma estratégia política de votação a votação, por meio de emendas, cargos e negociações caso a caso. No Senado, o quadro seria o mais complexo: 16 a 47, sendo 16 consistentes, 31 condicionados e 34 de oposição.
No cenário de eleição de Flávio Bolsonaro, o desenho é oposto: 291 a 389, sendo de apoio 291 consistente, 98 condicionados e apenas 124 de oposição — a menor oposição de toda a série histórica acompanhada pelo DIAP. É esse perfil que se aproxima do conceito de "super bancada" assim como ocorreu nos primeiros governo Lula e Dilma: maioria própria, estável e não condicionada, capaz de aprovar pautas com menor uso do fisiologismo. No Senado, 50 senadores consistentes (61,7% da Casa) garantiriam controle folgado da pauta, com oposição mínima de 16.
Os dois cenários dão maioria nominal ao futuro governo, mas de naturezas distintas. Na reeleição de Lula, a governabilidade seria negociada, custosa e instável, dependente de apoios condicionados, em particular, no Senado Federal. Na eleição de Flávio Bolsonaro, o governo partiria com base consistente próxima de 300 deputados e maioria própria no Senado.
As diferenças nos quóruns exigidos para a aprovação de leis ordinárias, leis complementares (maioria absoluta) e emendas constitucionais (três quintos dos votos, ou 308 deputados e 49 senadores) reforçam que cada presidenciável enfrentará cenários distintos de governabilidade.
Na história nenhum governo que elegeu a maior bancada abriu mão de diálogo com os partidos, na atual conjuntura, também reforça essa tendência. A forma de conduzir o relacionamento com os partidos será determinante para o sucesso de cada governo. Esse desafio ganha ainda mais relevância diante do fortalecimento do Congresso Nacional nas últimas legislaturas, impulsionado pela ampliação das emendas parlamentares e da influência do Legislativo tanto sobre a alocação de recursos do Orçamento federal quanto sobre a produção legislativa em relação ao Poder Executivo.
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Base de apoio na Câmara dos Deputados – histórico e cenários* |
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|
Governo |
Apoio consistente |
Apoio condicionado |
Oposição |
Total |
|
Collor |
160 |
160 |
183 |
503 |
|
Itamar |
250 |
203 |
50 |
503 |
|
FHC I |
296 |
115 |
102 |
513 |
|
FHC II |
260 |
123 |
130 |
513 |
|
Lula I |
207 |
116 |
190 |
513 |
|
Lula II |
291 |
86 |
136 |
513 |
|
Dilma I |
351 |
51 |
111 |
513 |
|
Dilma II |
304 |
33 |
175 |
513 |
|
Temer |
358 |
53 |
102 |
513 |
|
Bolsonaro |
257 |
117 |
139 |
513 |
|
Lula III |
140 |
159 |
214 |
513 |
|
Lula IV* |
124 |
246 |
143 |
513 |
|
Flávio* |
291 |
98 |
124 |
513 |
|
Fonte: Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) |
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Base de apoio no Senado Federal – histórico e cenários* |
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|
Governo |
Apoio consistente |
Apoio condicionado |
Oposição |
Total |
|
FHC I |
64 |
5 |
12 |
81 |
|
FHC II |
65 |
0 |
16 |
81 |
|
Lula I |
45 |
5 |
31 |
81 |
|
Lula II |
44 |
5 |
32 |
81 |
|
Dilma I |
55 |
7 |
19 |
81 |
|
Dilma II |
53 |
1 |
27 |
81 |
|
Temer |
59 |
6 |
16 |
81 |
|
Bolsonaro |
37 |
27 |
17 |
81 |
|
Lula III |
17 |
39 |
28 |
81 |
|
Lula IV* |
16 |
31 |
34 |
81 |
|
Flávio* |
50 |
15 |
16 |
81 |
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Fonte: Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) |
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