Neuriberg Dias*

As eleições de 2026 são consideradas uma das mais importantes por duas razões. A primeira é a consolidação de um pacto de reconstrução do Estado com participação e diálogo social. A segunda, talvez mais decisiva e estratégica, é a definição de um novo ciclo político no Brasil, que envolve novas lideranças emergentes da direita, da esquerda e do centro do espectro político.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de todas as eleições presidenciais desde a redemocratização e tem a possibilidade de vencer a disputa deste ano para um quarto mandato. Ao seu lado, marcaram esse período Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, todos ex-presidentes. Além do presidente José Sarney que, eleito vice-presidente no Colégio Eleitoral e alçado à Presidência da República, é uma liderança expressiva no cenário nacional e construiu importante capital político.

Entre 1989 e 2022, a disputa presidencial foi estruturada em torno dessas lideranças. Assim, quem vencer as eleições de 2026 assumirá a Presidência em condições políticas mais favoráveis para liderar um novo ciclo no país.

Na perspectiva partidária, o Brasil caminha para um sistema menos fragmentado do que o das últimas décadas. Vale ressaltar, a título de curiosidade, que a eleição presidencial de 1989 contou com 22 candidatos ao Palácio do Planalto, evidenciando a forte fragmentação político-partidária do país no período pós-ditadura militar.

As novas regras das eleições proporcionais, com o fim das coligações, a criação das federações partidárias e a cláusula de desempenho, reduziram significativamente o número de legendas em disputa e, por consequência, produziram reflexos também nas candidaturas majoritárias.

A governabilidade exige um presidencialismo mais hábil com o fortalecimento do Poder Legislativo em relação ao Executivo¹. O Congresso passou a definir a agenda política com influência das bancadas informais, muitas vezes em contraposição aos interesses do chefe de governo e de Estado.

O eleitor brasileiro mudou. O país chega às eleições de 2026 com cerca de 159 milhões de eleitores, praticamente o dobro dos pouco mais de 80 milhões registrados na primeira eleição presidencial direta da redemocratização, em 1989. As mulheres representam cerca de 52% do eleitorado; os eleitores com ensino médio completo formam o maior grupo em termos de escolaridade; e o envelhecimento da população amplia o peso político das faixas etárias acima de 60 anos.

Além disso, cerca de 20 milhões de brasileiros estão nas faixas em que o voto é facultativo e aproximadamente 1 milhão de brasileiros votam no exterior, e a influência do cenário internacional também é determinante aos candidatos à Presidência.

Essa nova realidade demográfica veio acompanhada de um eleitor mais conectado às plataformas digitais e menos identificado com os partidos políticos e até candidatos quando não lembram em que votou nas eleições para cargos no Congresso. As campanhas passaram a ser fortemente influenciadas pelas redes sociais, pela circulação acelerada de informações que tem influenciado as preferências e valores dos eleitores.

Por fim, o pleito de outubro próximo também influenciará as eleições municipais de 2028 e, consequentemente, as presidenciais e legislativas de 2030. Não resta dúvida de que quem vencer as eleições de 2026 encontrará condições institucionais e políticas favoráveis para inaugurar esse novo e desafiador ciclo político-eleitoral.

*Jornalista, analista político e diretor de Documentação do Diap.

¹ Nova dinâmica parlamentar: https://www.diap.org.br/index.php/noticias/agencia-diap/93060-nova-dinamica-parlamentar

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