Lula chega à campanha com mais de 10 milhões de empregos formais
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Expansão do mercado de trabalho elevou o estoque de vínculos a níveis recordes, fortaleceu renda e proteção social e se tornou um dos principais resultados econômicos do período. Desafio agora é sustentar o ciclo e transformá-lo em desenvolvimento.
Marcos Verlaine*
O presidente Lula (PT) chega à campanha pela reeleição tendo como um dos principais indicadores do governo dele, a forte expansão do emprego formal desde 2023. Em pouco mais de 3 anos, o Brasil acumulou mais de 10 milhões de novos vínculos formais1, considerando o período iniciado em janeiro de 2023 e a evolução dos registros de emprego até o primeiro semestre de 2026.
O movimento representa mudança importante na dinâmica do mercado de trabalho. Depois de anos marcados por desemprego elevado, informalidade e precarização, a economia brasileira passou a registrar sequência de saldos positivos na geração de postos com carteira assinada.
Os dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que a expansão alcançou níveis recordes. Pelo Novo Caged2, o estoque de empregos formais chegou a mais de 47,8 milhões de vínculos em maio de 2026. Na contabilização mais abrangente da Rais Mensalizada, o número alcançou aproximadamente 62,8 milhões de vínculos.
Os indicadores utilizam metodologias e abrangências diferentes e, por isso, não devem ser somados ou comparados diretamente como se fossem a mesma base estatística. O que ambos os registros revelam, entretanto, é a dimensão da formalização alcançada pelo mercado de trabalho brasileiro.
2026 mantém criação de vagas
O processo continuou em 2026. Nos primeiros 5 meses do ano, o Novo Caged registrou saldo positivo de 767.326 empregos formais. Somente em maio, foram criadas 72.960 vagas, resultado de 2.207.303 admissões e 2.134.343 desligamentos.
O saldo de maio foi o menor do ano até então, sinalizando desaceleração do ritmo de contratação. O dado, porém, não representa reversão da tendência. O mercado continuou criando postos e manteve resultado acumulado expressivamente positivo.
A mudança de velocidade merece atenção porque ocorre depois de sequência de forte expansão. Juros, crédito, investimentos, atividade industrial e comportamento do consumo passam a exercer peso maior sobre a capacidade de geração de novos postos.
O desafio, portanto, deixa de ser apenas ampliar o número de empregos e passa a ser sustentar a expansão, elevar a produtividade e melhorar a qualidade das ocupações.
Serviços lideram expansão
O setor de Serviços foi o principal responsável pela abertura de vagas formais no período, respondendo por parcela majoritária dos novos postos. Essa liderança reflete o peso do setor na economia brasileira e a recuperação de atividades associadas ao consumo das famílias, aos serviços empresariais e à circulação de renda.
Comércio, indústria e construção também contribuíram para o resultado, embora em proporções diferentes.
A predominância dos serviços, contudo, evidencia um dos principais desafios da economia brasileira: transformar a recuperação do mercado de trabalho em processo mais equilibrado, com maior participação da indústria e de setores de maior produtividade e intensidade tecnológica.
É nesse ponto que a geração de empregos se conecta ao projeto de reindustrialização do País.
Emprego e reindustrialização
A NIB (Nova Indústria Brasil)3 procura recolocar a política industrial no centro da estratégia de desenvolvimento. O objetivo é ampliar investimentos, inovação, conteúdo tecnológico e capacidade produtiva nacional em setores considerados estratégicos.
A indústria possui efeito multiplicador sobre o emprego. Uma nova unidade produtiva não cria apenas postos diretamente ligados à fábrica. Essa movimenta fornecedores, transportes, logística, serviços especializados, comércio, pesquisa, tecnologia e infraestrutura.
Por isso, a expansão do emprego formal precisa ser acompanhada pela mudança da estrutura produtiva.
Quanto maior a participação de setores industriais e tecnológicos na economia, maior tende a ser a capacidade de gerar empregos qualificados, elevar salários e ampliar a produtividade.
A reindustrialização, nesse sentido, não é apenas política orientada para empresas. É também política de emprego, renda e soberania econômica.
Mais emprego significa
mais proteção social
A relevância dos números não está apenas na quantidade de postos criados.
A formalização amplia o acesso dos trabalhadores a direitos e mecanismos de proteção social, como férias remuneradas, 13º salário, FGTS, Previdência Social e seguro-desemprego, além de estabelecer relação mais estável entre trabalhador e mercado de trabalho.
A expansão do emprego formal também produz efeitos sobre a economia.
Trabalhador com renda regular tende a ampliar o consumo, movimentando comércio e serviços. O aumento da demanda estimula empresas a produzir mais e, em determinadas circunstâncias, contratar mais trabalhadores.
Forma-se, assim, um circuito econômico em que emprego, renda, consumo, produção e arrecadação se reforçam mutuamente.
Essa dinâmica ajuda a explicar porque o comportamento do mercado de trabalho é um dos indicadores mais importantes para avaliar a qualidade e a sustentabilidade da recuperação econômica.
Contraponto à precarização
A expansão do emprego formal ocorre, entretanto, em paralelo à transformação das relações de trabalho.
Pejotização, informalidade, terceirização e novas formas de contratação continuam presentes no mercado brasileiro. A discussão sobre a quantidade de empregos precisa, portanto, ser acompanhada por outra pergunta: que tipo de emprego está sendo criado?
A qualidade do posto de trabalho envolve remuneração, jornada, estabilidade, direitos, proteção previdenciária e possibilidades de desenvolvimento profissional.
A questão ganha ainda maior relevância diante da transformação tecnológica.
A inteligência artificial e a digitalização podem elevar a produtividade e criar novas ocupações, mas também modificar ou eliminar determinadas funções. Os efeitos não serão determinados apenas pela tecnologia. Dependerão das políticas públicas, das estratégias empresariais e da capacidade de qualificação dos trabalhadores.
O desafio é fazer com que a transformação tecnológica seja acompanhada de mais produtividade sem precarização e de inovação sem redução da proteção trabalhista.
Desafio de sustentar o ciclo
Os resultados acumulados desde 2023 oferecem ao governo Lula argumento econômico importante na campanha eleitoral: o Brasil ampliou fortemente a geração de empregos formais e alcançou níveis elevados de ocupação e formalização.
Mas os próprios números também apontam para o desafio da próxima etapa.
A desaceleração observada em maio de 2026 mostra que não basta comemorar os resultados acumulados. Será necessário preservar as condições que permitiram a expansão e, ao mesmo tempo, enfrentar os obstáculos que podem limitar sua continuidade.
Investimentos públicos e privados, crédito produtivo, infraestrutura, inovação, qualificação profissional e fortalecimento da indústria serão decisivos.
Também será necessário preservar o poder de compra das famílias, porque o mercado interno continua sendo um dos principais motores da economia brasileira.
Emprego como indicador
de desenvolvimento
A trajetória iniciada em 2023 permite leitura mais ampla. O aumento do emprego formal não é apenas estatística do Novo Caged. Esse expressa a capacidade da economia de incorporar trabalhadores ao mercado protegido, elevar a renda das famílias e ampliar a cobertura da Seguridade Social.
Para Lula, esse desempenho chega à campanha como um dos principais resultados objetivos do terceiro mandato dele.
A disputa eleitoral, porém, não será decidida apenas pelo número de empregos criados. O eleitor também avaliará salários, inflação, custo de vida, serviços públicos, segurança, investimentos, desigualdade e perspectivas para os próximos anos.
Nesse contexto, os mais de 10 milhões de novos vínculos formais constituem dimensão importante do balanço econômico do período, mas o desafio político e econômico é transformar esse avanço em trajetória duradoura.
O próximo salto
O Brasil demonstrou, nos últimos anos, que é capaz de gerar empregos em grande escala. A questão agora é dar qualidade e sustentabilidade a esse crescimento.
Isso significa combinar formalização, melhores salários, produtividade, inovação, reindustrialização e redução das desigualdades.
O emprego formal pode ser o elo entre crescimento econômico e desenvolvimento social. Mas, para cumprir esse papel, precisa estar associado à estrutura produtiva mais sofisticada, maior investimento e capacidade permanente de gerar oportunidades de trabalho protegido.
Mais de 10 milhões de vínculos formais criados desde 2023 representam, portanto, marco expressivo do mercado de trabalho brasileiro. A próxima etapa será transformar esse resultado em base para novo ciclo de desenvolvimento, com mais indústria, mais tecnologia, mais produtividade e, sobretudo, mais trabalho decente.
Em síntese: Lula chega à campanha de 2026 com mercado de trabalho substancialmente maior e mais formalizado do que encontrou no início de do terceiro mandato. O desafio, daqui para frente, será sustentar essa expansão e fazer com que a geração de empregos caminhe lado a lado com reindustrialização, inovação, aumento da produtividade, valorização do trabalho e proteção social.
(*) Jornalista, analista político, assessor parlamentar do Diap e redator do HP
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1 Entre janeiro de 2023 e maio de 2026, o mercado de trabalho formal no Brasil registrou forte expansão contínua na geração de postos de trabalho com carteira assinada e no setor público, acumulando milhões de novos vínculos e alcançando recordes sucessivos no estoque total de trabalhadores formalizados informados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Panorama geral do período (2023 a 2026):
Crescimento acumulado: saldo consolidado de novos postos formais ultrapassou a marca de 10 milhões de vínculos no acumulado ampliado até o primeiro semestre de 2026, comparando com janeiro de 2023.
Estoque de vínculos: total de vínculos formais ativos no País - incluindo celetistas e setor público - superou 47,8 milhões de postos contabilizados apenas pelo Novo Caged no fechamento de maio de 2026, e atingiu cerca de 62,8 milhões de vínculos na contabilização abrangente da Rais Mensalizada.
Destaques setoriais: setor de Serviços liderou de forma isolada a criação de vagas, respondendo por quase 60% do total de postos abertos no período, seguido por Comércio, Indústria e Construção.
Desempenho e indicadores mensais - até maio de 2026:
Maio de 2026: Novo Caged apontou a criação de 72.960 vagas formais em maio de 2026, fruto de 2.207.303 admissões e 2.134.343 desligamentos; configurando o menor saldo mensal daquele ano até o momento.
Acumulado de 2026 (jan-mai): nos primeiros 5 meses de 2026, o mercado formal acumulou saldo positivo de 767.326 novos postos de trabalho com carteira assinada.
Evolução histórica anual: os anos intermediários - 2023, 2024 e 2025 - registraram saldos consistentemente positivos mês a mês, sem nenhum ano com encerramento negativo no saldo líquido de carteiras assinadas, impulsionados pela retomada econômica e programas de incentivo ao emprego.
2 O Novo Caged é a geração das estatísticas do emprego formal por meio de informações captadas dos sistemas eSocial, Caged e Empregador Web.
3 A NIB é a política oficial de desenvolvimento industrial do governo federal brasileiro, lançada em janeiro de 2024 com vigência planejada até 2033. O programa busca promover a neoindustrialização do País, tornando o setor produtivo mais moderno, inovador, sustentável e competitivo no cenário global.
